Eu estive numa festinha de crianças com minha esposa e meu filho por estes dias. A maioria das crianças adora estes eventos e o meu garoto não é diferente. Quem o conhece sabe que ele não é de ficar parado e nem de deixar os outros parados (o pai e a mãe dele, em especial).
Do meio para o fim da festa, uma senhora que presenciou toda a energia e alegria dele veio comentar comigo: “Ele tem medo de você?”. Eu respondi que quando eu fico bravo, sim, ele tem medo. Parecia que eu havia dito a senha correta, pois ela balançou a cabeça positivamente dizendo que é preciso que ele tenha medo de alguém.
Esta afirmativa veio me cutucando por estes dias. Seria preciso mesmo ter medo para obter respeito? Será que o amor não basta? Será que é mesmo o medo do castigo e da perda que mantém nossas relações e, no fim das contas, nossa sociedade unida num mesmo caminhar?
E passei o dia viajando em questões como estas e quando a crise se instala, a arte certamente pode nos apontar uma resposta, como disse Oswaldo Montenegro em “Metade”. E foi ele mesmo, numa outra canção sua, que acabou trazendo um pouco mais de claridade sobre a questão. Veja o clipe da música “Eu quero ser feliz agora”.
O começo da música diz: “Se alguém disser pra você não cantar / Deixar teu sonho ali pr'uma outra hora / Que a segurança exige medo / Que quem tem medo Deus adora”. E outro trecho que é assim: “Se alguém vier com papo perigoso de dizer que é preciso paciência pra viver. (...) Que Deus só manda ajuda a quem se ferra, e quando o guarda-chuva emperra certamente vai chover”. E por fim, o cantor completa: “Não acredite, grite, sem demora... Eu quero ser feliz Agora”.
Da mesma forma que a criação dos filhos, a religião e a nossa cultura está baseada na questão do medo como cimento que mantem unida a estrutura social. Ao menos é nisso que muita gente crê. Muitos fazem o “bem” ou o “certo” como forma de não se prejudicarem num futuro. Acabam fazendo não porque sua atitude é boa ou correta, mas por medo.
Você tem clareza disso? Que imagem de Deus é essa que estamos passando para os outros? Que Ele se alimenta do nosso medo, da nossa submissão, da nossa pequenez? Que Ele tem poder absoluto, que tudo sabe sobre nós e não podemos cometer a mínima falha porque Ele está sempre de olhos em nós?
Sim, eu exagerei nas pinceladas aqui, mas existem aqueles que creem justamente nisso. E, pior, acabam reproduzindo em figuras concretas, terrenas todo o poder divino de punição e orientação. Há muitos padres, líderes de comunidades e coordenadores de grupos que “governam” muito mais pelo poder do medo do que pela autoridade do serviço que prestam.
Governar pelo medo é muito mais fácil do que governar pelo diálogo, pela discussão, pela resolução de conflitos. Mas por outro lado, capacita menos pessoas. Quem é governado pelo medo, vê este como único modelo de lidar com os outros. Afinal, na cabeça destes, os outros são sempre incompetentes demais para lidarem com a pressão e com as decisões. Precisam ser mandados, manipulados por assim dizer.
Há sim lideranças centralizadoras na Pastoral da Juventude. E, creio eu, que muitos destes jovens só reproduzem os modelos que aprenderam em suas comunidades de origem. Quem está a frente de uma comunidade de base, de um grupo precisa desde cedo, desde a catequese, a valorizar o diálogo e a apresentar a imagem de um Deus que é Amor, que liberta das opressões.
Não digo que o medo seja ruim. Ele é importante para que evitemos certas situações, mas ele não pode ser o mote da nossa vida. Não posso criar meu filho com medo de mim porque ele pode crescer com a imagem de um pai severo que só pune e acabar achando que um pai deve ser assim.
Quem faz o bem pelo medo da punição, acaba fazendo o bem apenas pela obrigação. Não é pelo medo do inferno que a gente dedica a vida pelo Reino de Deus e por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Este propósito já tem um alto valor em si mesmo. Não precisa que o reforcemos por conta de um opositor.
Autor: Rogerio Oliveira

Graças a Deus, alguém nesse mundo me entende. kkkk
ResponderExcluirInfelizmente, ainda se faz catequese do século 19 em nossas comunidades. O catequizando tem medo do catequista. O catequista não conversa, mas apenas dita o que deve ser escrito e feito imediatamente pelos catequizandos. Quem conversa comigo sabe: não acredito num Deus que define quem faz o bem e quem faz o mal, pois isso seria agir injustamente, tiraria a oportunidade de todas as pessoas serem salvas. Isso implica que não existe destino e não se pode olhar o futuro das pessoas, nem Deus faz isso, pois quer que todos salvem-se. Para que eu não seja mal interpretado, acredito -sim- nos planos de amor que Deus tem para cada um de nós, mas somos nós que escolhemos segui-los, ou não; é isso que diferencia o salvo do não salvo, e não a "vontade" de Deus.
Não podemos fechar os olhos para a ciência, até porque a Igreja Católica Apostólica Romana nunca deixou de pesquisar cientificamente. É por isso que os verdadeiros Cristãos Católicos não abandonam a doutrina, pois sabem que a Fé professada pela nossa Igreja é "questionada" pela própria Igreja e confirmada, muitas vezes, pela ciência. É claro que o Homem tal como é hoje -pecador- jamais terá plena inteligência para explicar tudo; nem mesmo conhecer tudo, nem mesmo explicar porque a Lua influencia as marés na Terra; mas o que é provado pela ciência só faz completar o que o Espírito Santo revela há muitos anos aos que creem. É essa visão que falta a muitos crentes: Fé e Ciência andam juntas, formam perfeita harmonia.
Quanto aos jovens, que busquem conhecer a sua fé e a sua Igreja; para que não pereçam sob argumentos fraudulentos e manipuladores. Não é preciso sair da Igreja e desacreditar de Deus para ser inteligente no mundo atual, nem para ser uma pessoa que enxerga mais; basta ser capaz entrar num labirinto, encontrar a saída e voltar pelo mesmo caminho até o ponto inicial, tudo isso na própria mente.
As respostas que encontrei sobre minha fé e sobre Deus vieram depois de horas navegando nos meus pensamentos, indo aonde a cabeça dói para chegar; rogando a inspiração Divina, a luz do Espírito Santo. "E de tanto insistir o 'anjo' me toca e abençoado eu sou", sempre que me vejo em grandes questionamentos. Aos que já discutiram comigo sobre certos assuntos, se eu que professo a mesma fé, acredito na Mesma Trindade Santa, fui capaz de colocar questionamentos e dúvidas sobre eles; imaginem os ateus? Para os ateus que julgam-se donos de toda a verdade, deixo o meu silêncio, com toques de sarcasmo; sempre que posso. É claro que falo dos ateus que têm tanta certeza de que Deus não existe, quanto eu tenho de que Deus existe. E não adianta nós dizermos que nenhum ateu será salvo; porque muitos ateus fazem o bem e amam seus iguais; exatamente por não viverem com medo do castigo do Deus que eles acham que nós achamos que existe.
Quando deixarmos a ideia do Deus de barba branca, sentado num trono de ouro, sobre as nuvens regendo tudo e todos, vamos perceber que Deus está ao nosso lado sempre, sentado ao nosso lado nas missas, caminhando ao nosso lado nas ruas, oferecendo-nos os caminhos corretos e sempre sorrindo para nós e mandando sinais que só perceberemos se estivermos em comunhão com Ele; vamos entender 0,1% do que é ser Amor infinito e vamos nos surpreender infinitamente ao vislumbrarmos a paisagem desse amor. Só para constar, um dos labirintos que caminhei foi para conhecer um pouco desse amor divino e, podem acreditar, voltei de lá transbordando de felicidade e profundamente agradecido por ter sido um espermatozoide campeão. kkk
Paz e Bem, meus tão amados irmãos!
Eu creio com certeza que não devemos ter medo de Deus, que ele está lá com raiva de nós se preparando para jogar raios de fogo em nós. Deus só é justo, ele sempre quer no nosso bem,agora em relação a Você Althielis de Jesus, eu já te disse o que penso sobre essa forma de pensar sua.
ResponderExcluirVocê pode muito bem, pode não DEVE, questionar algo sobre a sua religião,não só você como pessoas de outras religiões, ou que não tem também podem. Essa dor na cabeça eu senti a umas semanas,porque estava me questionando sobre vários fatos, tanto da minha religião, quanto do mundo. Senti duas vezes e depois parei de tentar questionar. Concordo com você que seja um labirinto,você tem que ter capacidade para entrar e conseguir voltar, agora eu te digo... Nem sempre as pessoas conseguem fazer isso até porque é muito mais pratico acreditar na forma bonitihha que as coisas são apresentadas.
Te admiro pela sua forma de pensar, de expor suas conclusões,mas você tem que perceber que nem sempre o que você fala pode estar certo, como você tirou suas conclusões sobre algumas coisas da igreja Católica,como você disse que muitas são simbolismo, outras pessoas podem ter conclusões diferentes,agora eu te pergunto e se elas tiverem o mesmo pensamento que você,querer colocar na cabeça das pessoas que estão ao seu redor que a forma que elas interpretam a Bíblia e as doutrinas da Igreja Católica é a certa.
Tome cuidado com isso,as pessoas interpretam as coisas do jeito que elas querem,não do jeito dos outros,você está lidando com pensamentos diferentes. Como você mesmo diz, se você vê um perigo e não avisa ao próximo você também é culpado,você não sabe se suas conclusões são certas,então só converse com pessoas que você sabe que já tem uma maturidade maior,para depois você não ser culpado pela perda de algumas ovelhas.Não digo que você está sempre errado,mas o ser humano é falho! E não só você mas todos nós SOMOS SERES LIMITADOS! E PARA DEUS NÃO TEM LIMITES
Eu ainda tenho que crescer nessa parte né,por que? Por que eu defendo a minha ideia?? E te digo que nem sempre você estará certo?
Beijos Alth!!!
Carina Freitas